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Terapias são usadas para proporcionar bem-estar a funcionários

Além de sessões durante o expediente, empresas adotam retiro para colaboradores; depressão e ansiedade estão entre as cinco principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, segundo o INSS

Imagine ter um psicólogo disponível no trabalho para sessões de terapia durante o expediente. Ou trabalhar em uma empresa que presenteie funcionários com um retiro espiritual. Parece utópico, mas cada vez mais empresas criam meios voltados para o bem-estar dos colaboradores.

A preocupação com a saúde mental dos funcionários decorre de dados alarmantes. Segundo levantamento de 2017 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), as doenças psicossociais – como depressão, ansiedade e síndrome do burnout – estão entre as cinco principais causas de afastamento no Brasil. O futuro não parece promissor. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a depressão será a doença mais incapacitante até 2020.

Além de ser de interesse dos gestores, o desejo de trabalhar a sanidade mental também é demanda dos funcionários. Foi o que aconteceu na Koin, fintech de compra online. Uma iniciativa do RH perguntou quais ações os funcionários gostariam de ver na empresa e a resposta surpreendeu: terapia.

Os diretores abraçaram a ideia e, por meio do convênio médico, levaram as consultas para o escritório. Desde maio, duas vezes por semana os colaboradores têm sessões numa sala adaptada, sem custo e durante o expediente. Hoje, 15 dos 66 integrantes da equipe são atendidos. Larissa Meneses, de 24 anos, analista de marketing júnior na Koin há um ano, é uma delas. “Percebi uma melhora significativa na minha concentração, no humor, no relacionamento com meus amigos e com a família. E o melhor é não precisar sair do escritório.”

Para Carolina Mattos, gerente de RH, a naturalidade com que a iniciativa é tratada colaborou. “Tratamos a terapia naturalmente, da mesma forma como tratamos aulas de inglês.”

Constelação sistêmica. A Verity Group, empresa de TI, também elencou o bem-estar de seus funcionários como uma das prioridades. Quinzenalmente, o escritório faz reunião da equipe com uma especialista em gestão de conflitos, para tratar de temas diversos, usando a abordagem psicoterápica da constelação sistêmica.

“O programa tem como suporte o cuidado psicológico. A estratégia é: 70% do tempo focado em trabalhar questões emocionais, 20% focado na parte cognitiva mental e 10% para trabalhar o conteúdo da quinzena”, diz Allessandra Canuto, que desenvolve o programa.

Alexandro Barsi, CEO da Verity, conta que a necessidade desse trabalho surgiu após traçar o planejamento estratégico da empresa. “Temos metas de crescimento importantes e a necessidade de ter profissionais preparados para esse movimento tornou-se fundamental”.

Segundo Allessandra, o legado mais importante ao fim do curso é o aumento da percepção dos funcionários de sua própria importância. Eles se sentem cuidados e o vínculo entre colegas de trabalho também aumenta, já que as pessoas começam a se perceber mais no outro e entender seus conflitos, diz.

Para algumas empresas, o cuidado com a saúde mental pode se dar por uma terceira via: os retiros de autoconhecimento. O Curso Hoffman é um deles. Com base na metodologia homônima, os alunos passam uma semana em um hotel em Cabreúva (SP) sem acesso a qualquer comunicação externa, trabalhando temas como relacionamentos familiar e profissional, saúde financeira e sexualidade.

Segundo Heloísa Capelas, diretora de desenvolvimento humano, cresce o número de empresas que enviam colaboradores para participar do processo, apostando que a satisfação em todas as áreas da vida pode melhorar os profissionais. “O amor, a admiração e o respeito por si faz com que eles sejam pessoas mais proativas, abertas para o mundo. Assim, ficam mais disponíveis a viver bem em todas as áreas da vida, inclusive a profissional.”

Os colaboradores escolhidos para o curso, avalia Heloísa, costumam se encaixar em um de três perfis: ou é um líder, ou foi premiado por alto desempenho, ou é problemático, com boa performance, mas dificuldades de relacionamento. Entre os 25 participantes da próxima turma do curso, quatro foram enviados pelas empresas onde trabalham – que acham válido investir R$ 10 mil por pessoa.

“O profissional treinado vale ouro. Para mantê-lo sem estresse, as empresas têm que ajudá-lo a estar feliz, satisfeito, orgulhoso de si, com bom relacionamento em casa, no serviço. Assim ele vai construir por prazer. E, quando se faz por prazer, você verdadeiramente veste a camisa”, completa Heloísa

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